O dragão chinês e o leite brasileiro

Prof Thiago Bernardino de Carvalho

A notícia não poderia ser melhor para o mercado lácteo brasileiro. O ano de 2019 traz uma perspectiva positiva para o país em se tratando da cadeia de leite e o mercado externo. A China, o país de bilhões de pessoas está abrindo seu mercado para o produto nacional.

Para as outras três proteínas animais – carnes bovina, suína e de frango, o país asiático já é um dos maiores compradores de produtos brasileiros, principalmente a partir do ano de 2016, quando houve um estreitamento mais forte entre os dois países. A China é o maior comprador de carne bovina e de frango, e o segundo maior de carne suína, revezando com Hong Kong, o primeiro posto.

Essa notícia, assim como a negociação de abertura com outros países, como por exemplo o Egito que desde 2015 não comprava produtos lácteos do país, trazem um cenário otimista para o setor lácteo brasileiro.

Há exatos cinco anos atrás, o Brasil registrou pela última vez saldo positivo na balança comercial de lácteos, em abril de 2014. As exportações totalizaram 10,1 mil toneladas, enquanto que as importações foram de 6,64 mil, deixando um saldo positivo para a balança. Desde então, o país se tornou um grande importador desse produto, comprando mais do que vendendo.

Esse movimento (mais importação do que exportação) faz com que haja uma competição maior entre os produtos nacionais e estrangeiros, beneficiando consumidores locais, mas por outro lado prejudicando a produção em algumas regiões menos eficientes, o que desestimula produtores e prejudica o setor econômica e socialmente.

O setor externo trabalha como uma “esponja” no mercado, ou seja, ajuda a enxugar excedentes no mercado doméstico, assim como aumenta as divisas de um país. Como reflexo, temos preços mais firmes para toda a cadeia e em momentos de crises político-econômico como nos últimos anos no Brasil, se torna uma válvula de escape para o setor como um todo.

Nesse sentido, a China e seu apetite por produtos alimentares e de baixo custo, vê na parceria já existente com o Brasil uma nova oportunidade de abrir outros mercados e diversificar suas compras.

Resta ao setor lácteo brasileiro aproveitar essa oportunidade, sendo a China o maior importador de lácteo do mundo, e buscar cada vez mais uma melhor eficiência comercial, dentro e fora da porteira.

31/10/2019|Noticias|

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