Há espaço para o Brasil crescer mais?

Prof Thiago Bernardino de Carvalho

Os últimos acontecimentos no mercado pecuário nacional vêm trazendo de volta o otimismo para todos do setor, desde a cadeia de insumos, assim como governo, que veem suas receitas aumentarem, assim como um incremento no consumo e no emprego na cadeia.

Os motivos para otimismo, vem de uma demanda cada vez mais crescente pelo produto nacional, seja por ser um dos mais competitivos do mundo, mas também pela grande capacidade de oferta que o Brasil possui. A abertura de novas plantas para vendas para a China, assim como o avanço de novas negociações com países asiáticos e do oriente médio trazem uma maior perspectiva para a venda de carnes.

O grande questionamento é se o Brasil estaria capaz de suprir essa demanda crescente, seja ela internacional, seja ela nacional, visto que o mercado doméstico está entrando nos eixos, e a economia volta a sinalizar um crescimento mais sustentável a partir das reformas administrativas e tributárias.

A resposta é sim, mas no média e longo-prazos. No curto –prazo, pelo imediatismo do mercado nacional e foco apenas no preço, muitos produtores deixam de investir em tecnologia (pastagem, genética, nutrição e sanidade) e como consequência há um reflexo na produção e produtividade. O “efeito manada” da pecuária nacional, assim como seu amadorismo, refletem em constante baixa de produtividade.

Toam-se como exemplo de comparação a pecuária norte-americana que é a líder mundial em produção, mas apenas a terceira em rebanho, atrás de Brasil e Índia. O rebanho norte-americano é em torno de 90 milhões de cabeças, praticamente o mesmo número de matrizes no Brasil, que é de 80 milhões de cabeças. O rebanho brasileiro mais de duas vezes maior, 212 milhões de cabeças.

Com cerca de 40 milhões de matrizes (quase a metade), a produtividade dos Estados Unidos é de 133,2 quilogramas por animal por ano, enquanto que no Brasil, a produção é de 45,8 quilogramas/animal/ano.

Há de se considerar que 90% de nossa produção vem do gado com alimentação à base de pastagem, enquanto que nos EUA, ocorre o contrário, cerca de 95% da produção é de gado em confinamento, quando a conversão alimentar em média é maior, com um melhor acabamento de carcaça.

Essa diferença tem que ser colocada na balança, mas a diferença de mais de três vezes na produtividade poderia ser amenizada pelo maior uso racional de tecnologia, aumentando assim a eficiência do rebanho e da pecuária brasileira e possibilitando o Brasil avançar mais na produção de carne bovina.

29/11/2019|Noticias|

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