Chuva, uma aliada ou um problema para os pecuaristas?

Prof Thiago Bernardino de Carvalho

O ano de 2019 começou sinalizando altas temperaturas no Brasil central, o que registrou ao longo das primeiras semanas forte estiagem e em algumas regiões do país problemas com umidade do solo. Entretanto ao longo dos meses de fevereiro e, principalmente março, a precipitação voltou a atingir níveis elevados favorecendo em algumas regiões a manutenção de pastagens e consequentemente um suporte de alimentos que ajudam pecuaristas a equilibrar seus custos com alimentação. Esse movimento tem reflexo no mercado de preços ao produtor.

De acordo com o Cepea, o primeiro trimestre de 2019 tem sido caracterizado pela menor oferta de leite no campo e pelo aumento da competição entre empresas para assegurar a compra de matéria-prima. A captação de fevereiro, especificamente, foi influenciada pelas chuvas irregulares de janeiro que limitaram a disponibilidade de pastagens e a produtividade das lavouras de milho. Por esse motivo, produtores intensificaram o uso de silagens para tentar manter o volume de produção no curto prazo – por outro lado, existe a preocupação de que o manejo alimentar fique prejudicado no meio do ano.

É importante lembrar que grande parte do rebanho brasileiro depende das pastagens e estas, por sua vez, são prejudicadas pelo período de seca, que se aproxima no Sudeste e Centro-Oeste. Ainda assim, o ajuste na oferta no curto prazo pode ocorrer pelo aumento no consumo de concentrado e silagem, favorecido pelo maior poder de compra do pecuarista.

Já por outro lado, o acúmulo de chuvas, faz com que ocorra a incidências de algumas doenças no rebanho, prejudicando assim a oferta de leite e a produtividade dentro da porteira. Nesse ponto, um correto manejo sanitário ajuda a manter a sanidade e qualidade do rebanho, reduzindo impactos de doenças na produção. Vale lembrar, que cada vez mais laticínios vem demandando matéria-prima de qualidade, tendo em vista as novas normativas (IN 76 e 77) que entram em vigor, o que pode elevar as cotações, por conta das bonificações nos próximos meses.

Leite cru adquirido: Dados divulgados pelo IBGE (instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) sobre o montante de leite cru adquirido ao longo de 2018, mostram números interessantes sobre a atividade leiteira no Brasil. A expansão de apenas 0,48% frente ao ano de 2017, sinaliza um dos motivos pelos quais os preços se mantiveram firmes ao longo de todo o ano passado e sendo reflexo para os primeiros meses do ano corrente.

Os números confirmam também a importância do Estado do Paraná para a atividade no país. Ao longo de 2018, o estado do Sul do Brasil cresceu 5,35% frente a 2017, sendo o que mais cresceu em termos de leite cru adquirido. Na sequência vem os estados de Goiás (2,39%) e Minas Gerais (1,37%).

02/04/2019|Noticias|

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