Abate histórico de novilhas sinaliza novo perfil da atividade

Prof Thiago Bernardino de Carvalho

Os números sobre o volume total de animais abatidos no último trimestre de 2018, divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mostram que o abate de bois no Brasil cresceu 3,48% frente ao ano de 2017. Os números são os maiores desde 2014, quando registaram 33,9 milhões de cabeças abatidas. Não somente o abate de animais estão atingindo patamares elevados, mas também se destaca o maior abate de novilhas, que foi recorde no ano passado.

No acumulado de janeiro a dezembro do ano passado foram abatidos no Brasil o montante de 31,86 milhões de animais, número 3,48% superior ao mesmo período de 2017, 7,46% maior que em 2016 e 4,06% a mais que em 2015.

Quando analisamos o abate de fêmeas, no último trimestre de 2018, chegou a 37% do total, menor número ao longo do ano. Na média de 2018, o abate de fêmeas representou 41,53%, sendo abatidas 13,23 milhões de cabeças (entre vacas e novilhas). Este número somente é inferior ao mesmo período de 2013 (42,04%). Nos anos de 2015 a 2017 houve redução na porcentagem do abate de fêmeas ao longo do ano.

Analisando a série histórica dos abates de bovinos (macho e fêmeas) desde 1997, o abate de novilhas em 2018, chegou a 10,12%, recorde histórico. O maior valor havia sido registrado no ano de 2014, com 9,27% do abate total no acumulado do ano. Em valores absolutos, foram abatidas 3,32 milhões de novilhas, enquanto que no ano de 2014, esse número foi de 3,14 milhões (segundo maior valor absoluto).

Como vem sendo notado ao longo de 2018, registra-se, que somente no ano passado a porcentagem de abate de novilhas ultrapassou os dois dígitos, sinalizando uma mudança estrutural na cadeia, mas também o recebimento de preços mais altos por esta categoria de animal, o que atrai o interesse da venda de fêmeas novas.

Esse movimento que vem ocorrendo na estrutura de produção da cadeia mostra a mudança de mentalidade de parte de pecuaristas que buscam fazer um giro rápido de animais dentro da fazenda e agregar valor à receita da atividade produzindo animais mais valorizados no mercado, como é o caso das fêmeas novas. Esta quebra de paradigmas dentro da porteira vem fazendo com que novas tecnologias sejam incorporadas à produção melhorando a eficiência produtiva, seja dos animais, seja da atividade como um todo.

02/04/2019|Noticias|

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